terça-feira, 8 de outubro de 2013
Um russo de 24 anos se desprendeu de seus aparatos eletrônicos para viver seis meses como nos tempos medievais. O estudo pretende conhecer o uso das ferramentas da época e analisar a capacidade de adaptação a uma vida sem modernidades.
Sua nova morada está a uns 28 quilômetros de Moscou, em uma casa que imita aquelas do século IX na Rússia. A alimentação também respeitará as tradições da época, contando com cabras, galinhas, cogumelos, peixes desidratados, bagos, banha de porco e vários tipos de cereais. Também poderá caçar coelhos e raposas no bosque, porém somente usando métodos antigos.
Pável Sapozhnikov está disposto a viver sem eletricidade, sem internet e sem as roupas penduradas em seu armário. Mas apenas até o próximo dia 22 de março, ou todo o inverno russo. Com temperaturas que podem cair abaixo dos 20 graus negativos, qualquer um pensará que o equipamento que mais fará falta será o aquecedor. No entanto, o objeto mais preciso para o jovem é um machado.
"Com um machado pode-se construir tudo que for necessário. Quando não serve para alguma coisa, pode ter certeza que serve para fabricar a ferramenta apropriada", disse Pável à agência de notícias russa RIA Novosti. E então afirma: "Nossos ancestrais o criaram com a forma perfeita", assinalando que a ferramenta praticamente não mudou ao longo dos séculos.
Em seus primeiros dias como viajante no tempo, Pável confessa ter tido dificuldades para fazer fogo a partir da faísca de uma pedra. E não se intimida em reconhecer que gostaria de ter um isqueiro em mãos.
"Achamos muito interessante ver como uma pessoa podia sobreviver às estações do outono e inverno, quando há menos comida e provisões, além de menos horas de luz ao dia", afirmou o instigador da iniciativa, Alexéi Ovcharenko.
Uma equipe vigiará cada movimento de Pável, assim como o desgaste de cada um dos elementos com os quais ele conta.
"A cada quanto tempo tem que remendar um par de meias de lã? Ou quanto duram um par de esquis ou uma faca? O teto coberto com pele de animal é suficientemente forte? Queremos avaliar muitos dos elementos que eram utilizados diariamente", assinalou Ovcharenko.
Outro aspecto importante do experimento é o sociopsicológico. Os promotores do projeto querem saber como a vida em solidão afeta uma pessoa.
"Enviamos Pável ao passado com um propósito. A imersão no passado e o distanciamento da vida moderna serão assim mais rápidos. Agora só nos resta esperar pelos resultados em março. Isso se Pável não decidir ficar para sempre no medievo."
Fonte: AQUI (em espanhol)
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Segue abaixo a programação do IV Colóquio de Estudos Medievais.
Inscrições gratuitas pelo e-mail scriptoriumuff@gmail.com
Maiores informações: 2629-2837 / 8853-9124.
Inscrições gratuitas pelo e-mail scriptoriumuff@gmail.com
Maiores informações: 2629-2837 / 8853-9124.
sábado, 7 de setembro de 2013
Persiste entre as pessoas comuns o mito de que - ao contrário dos japoneses e chineses, com suas artes marciais extensas e perfeccionistas - os europeus medievais eram mais chegados a sacudir suas armas de forma grosseira e sem um pingo de técnica.
Este mito já foi há muito desmascarado através do estudo de manuais de combate - a maioria destes sendo alemães ou italianos e datando a partir dos séculos XIV e XV - que descrevem sistemas muito complexos de técnicas com as mais variadas armas.
Algumas pessoas vão ainda mais além: misturando o que pode ser observado nas gravuras destes manuais com conhecimentos básicos de artes marciais e anatomia humana, tentam recriar estas técnicas, a fim de melhor compreender como os guerreiros do medievo se comportavam nos nem um pouco raros campos de batalha.
Hoje vou deixar abaixo dois vídeos de uma dessas escolas, provando que, quando se tratava de lutar, os europeus medievais não eram nada bobos.
Na maioria dos casos, os documentários televisivos sobre a Idade Média (e sobre História, de modo geral) são no mínimo dispensáveis. Resumindo-se a apresentar uma linearidade de "fatos" e acontecimentos (muitas vezes grosseiramente errados), evocam uma forma de se fazer historiografia muito antiga, lá do século XIX, e reafirmam mitos e sensos comuns há muito já derrubados pelos pesquisadores.
Alguns documentários, entretanto se destacam. Alguns propõem verdadeiras reflexões sobre temas específicos - ainda rasas se comparadas a bons trabalhos acadêmicos, é verdade, porém muito mais atraentes e acessíveis. Estes são os que valem à pena recomendar.
É o caso deste documentário em quatro partes, produzido pela BBC e pelo historiador Robert Bartlett em 2008. Cada episódio de 60 minutos procura analisar as mentalidades medievais a partir de um tema: Conhecimento, Sexo, Crença e Poder.
Assista abaixo aos episódios legendados:
* * *
I - Conhecimento
No primeiro episódio, Bartlett explora a forma através da qual o homem medieval compreendia o mundo - um lugar misterioso, até mesmo encantado, onde ver homens verdes, com cabeça de cães e seres estranhos era algo comum. O próprio mundo era um livro escrito por Deus. Mas à medida que a Idade Média chegava a seu fim, ele se tornou um lugar para ser dominado e explorado.
II - Sexo
Bartlett revela provas extraordinárias da complexa paixão do homem medieval. A Igreja pregava o ódio por tudo que era carnal, promovia o culto à virgindade e condenava a mulher como a pecaminosa herdeira de Eva. Contudo, esse foi o período em que surgiu a ideia de romântico, ou do amor cortês.
III - Crença
Nesse episódio, o sobrenatural está sob os holofotes. Os mortos medievais dividem o mundo com os vivos: o culto dos santos, encontros com os mortos e visões do próximo mundo foram vistos comi uma prova de tráfego em dois sentidos entre este mundo e o além. Nossos antepassados medievais acreditavam que dividíamos o mundo com os mortos e que anjos e demônios lutavam pelo controle das almas humanas. À medida que o poder da Igreja sobre nossas crenças aumentou, homens e mulheres foram levados a tribunais eclesiásticos e muitos foram mortos em nome de Deus.
IV - Poder
Bartlett expõe a estrutura brutal do sistema de classes medieval, onde a desigualdade fazia parte da ordem natural, a vida dos servos era pouco melhor que a de um animal e o código da cavalaria era mais de solidariedade de casta do que moral. A classe em que você nascia determinava quem você era. Mas uma revolução social iria transformar as relações entre aqueles com poder absoluto e aqueles sem nenhum.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Arqueólogos descobriram um anel com uma quase imperceptível cavidade, que eles acreditam ter sido usada para esconder veneno para assassinatos políticos na Bulgária medieval.
O anel de bronze, de mais de 600 anos de idade, foi encontrado durante escavações nas ruínas de Cape Kailakra, onde aristocratas da região de Dobrudja viveram durante o século XIV.
Mais informações aqui (em inglês).
terça-feira, 16 de julho de 2013
Tombado como Patrimônio Mundial pela UNESCO, o imponente castelo representa o que de melhor foi criado na era dos castelos, desdobrando-se como um dos mais belos e bem protegidos. Durante as Cruzadas, sediou a Ordem religiosa dos Hospitalários e se tornou símbolo de resistência cristã na "Terra Santa".
O Krak des Chevaliers (Castelo dos Cavaleiros) – ou Qalajat Al-Husn para os muçulmanos – está localizado na Síria e seu governo o mantém aberto ao turismo.
Sua construção parece ter sido um projeto sem-fim. Os Hospitalários receberam uma primitiva construção em 1141 e teriam feito ao menos duas grandes obras que só findaram em meados do século XIII. Na década de 1930, abandonado e quase em ruínas, passou por grande reforma para lhe trazer de volta sua antiga glória. Em 2008 foi tombado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
A surpreendente construção foi um formidável centro de defesa e controle regional para os cruzados. Construído no alto de um monte no sul da atual Síria, serviu aos propósitos das Cruzadas nos séculos XII e XIII. Estrategicamente posicionado no flanco do antigo Reino Jerusalém, foi um dos grandes responsáveis pela sustentação cristã na "Terra Santa".
Estima-se que na época em que serviu aos Hospitalários, o Castelo já possuía medições de 140 metros x 210 metros. Facilmente defensável, detém um elaborado conjunto duplo de defesas e, quando necessário, a fortificação podia guarnecer pouco mais de 2 mil soldados. Seus armazéns detinham grande capacidade para estocagem de suprimentos. Avalia-se que, quando completamente abastecidos, poderiam suprir as necessidades básicas da guarnição por alguns anos.
A fortificação resistiu a diversas tentativas de tomada por mais de 100 anos (teria repelido ao menos 12 incríveis tentativas). A poderosa construção finalmente caiu em 8 de abril de 1271, depois de resistir a um cerco de aproximadamente seis semanas empreendido pelo sultão do Egito, Baibars.
A tomada do Krak des Chevaliers ainda hoje suscita discussões. As tropas do sultão quando finalmente teriam conseguido "derrubar" uma das torres, depararam-se com algo ainda mais extraordinário, a segunda linha de muros e a torre de menagem (típica construção central do castelo europeu). Isto é, um segundo complexo de muros ainda mais difíceis de serem tomados e que deixaria os invasores bem mais expostos.
Recuando suas forças e profundamente desanimado com a possibilidade de um assédio (cerco) mais prolongado, o sultão teria criado um documento fictício no qual um dos líderes da Ordem dos Hospitalários estaria dando ordem de rendição, pois não havia como prestar auxílio algum aos defensores.
A ordem foi acatada e os bravos defensores do Krak teriam recebido salvo-conduto para casa. Há referências que apontam discussões que, na verdade, os Hospitalários sabiam que a ordem de entrega do castelo era falsa, mas, querendo camuflar sua desonra diante da derrota iminente, acataram-na fingindo desconhecer o fato.
Os Hospitalários seguiam duros preceitos de conduta e, como as demais ordens religiosas, suas "regras incluíam uma rígida disciplina militar, com penas pesadas para quem evitasse o inimigo, deixasse um estandarte baixar ou cair (...). Essas regras eram vistas como um meio de ganhar a salvação e, ao mesmo tempo, manter a honra e o prestígio da cavalaria".
A única coisa que parece ser certa, é que a guarnição do castelo estava reduzida (iminente fim das Cruzadas). Sobre o conhecimento ou não da veracidade documental por parte dos Hospitalários, apenas se sabe que há discussões acaloradas.
Texto: Eudes Bezerra.
Fonte: Imagens Históricas.
Referências:
DUNN Jr. Jerry Camarillo. Krac des Chevaliers. Disponível em: << http:// viagem.hsw.uol.com.br/ krak-des-chevaliers.htm >>. Acesso em: 10 jul. 2013.
FERNANDES, Fátima Regina. Cruzadas na Idade Média. In. MAGNOLI, Demétrio (org.). História das Guerras. 5 ed. São Paulo: Contexto, p. 99-130. 2011.
JESTICE, Phyllis G. História das Guerras e Batalhas Medievais. O Desenvolvimento de Técnicas, Armas, Exército e Invenções de Guerra na Idade Média. trad. Milton Mira de Assumpção Filho. São Paulo: M. Books, 2012.
UNESCO. Crac des Chevaliers e Qal'at Salah El-Din. Disponível em: <<http://whc.unesco.org/en/ list/1229 >>. Acesso em: 10 jul. 2013.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.
WATERSON, James. Espadas Sacras: Jihad na Terra Santa, 1097-1291. trad. Giancarlos Soares Ferreira. São Paulo: Madras, 2012.
Referências:
DUNN Jr. Jerry Camarillo. Krac des Chevaliers. Disponível em: << http://
FERNANDES, Fátima Regina. Cruzadas na Idade Média. In. MAGNOLI, Demétrio (org.). História das Guerras. 5 ed. São Paulo: Contexto, p. 99-130. 2011.
JESTICE, Phyllis G. História das Guerras e Batalhas Medievais. O Desenvolvimento de Técnicas, Armas, Exército e Invenções de Guerra na Idade Média. trad. Milton Mira de Assumpção Filho. São Paulo: M. Books, 2012.
UNESCO. Crac des Chevaliers e Qal'at Salah El-Din. Disponível em: <<http://whc.unesco.org/en/
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.
WATERSON, James. Espadas Sacras: Jihad na Terra Santa, 1097-1291. trad. Giancarlos Soares Ferreira. São Paulo: Madras, 2012.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Estamos acostumados a escutar e ler (no Baschet, inclusive) que uma das características do Sistema Feuda é a ancoragem espacial, através da imagem do Castelo. O tamanho e imponência destas construções deixa evidente seu papel intimidador; entretanto, muitas vezes não paramos para pensar em como elas eram organizadas.
Claro, não podemos nos apressar e simplificar desta forma. A organização e estrutura destas fortificações variava de acordo com a época e região, e a imagem acima deve servir apenas como exemplo.
O objetivo é chamar a atenção para o fato de que os castelos eram muito mais que casas luxuosas de proporções exageradas; eram aglomerados funcionais de construções variadas, devidamente cercadas por estruturas de proteção.
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