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domingo, 20 de outubro de 2013

Quanto tempo durava uma típica batalha medieval?

As representações sobre Idade Média às quais estamos mais acostumados são os filmes, onde normalmente (com raras exceções, como O nome da rosa) as guerras e batalhas ocupam lugar de destaque no enredo. Devido às exigências da mídia audiovisual, estes conflitos costumam ser retratados com um dinamismo aceleradíssimo.

No entanto, quanto tempo durava uma verdadeira batalha medieval?

Logicamente, é impossível chegar a uma resposta objetiva. A lista de variáveis é enorme: quantidade de combatentes, terreno, tecnologia disponível, etc. O que podemos fazer, então, é compilar alguns exemplos de embates célebres.


- A Batalha de Azincourt (1415, durante a Guerra dos Cem Anos - Inglaterra contra França na região da Normandia) durou cerca de 3 horas, sem incluir o tempo perseguindo tropas.

 Batalha de Agincourt em miniatura do século XV

- A Batalha de Hastings (1066, Inglaterra - Rei Haroldo II contra o invasor Guilherme II, Duque da Normandia) durou entre 8 e 9 horas, incluindo a derrota das tropas que permaneceram leais mesmo após a morte de Haroldo.

Extrato da tapeçaria de Bayeux, retratando a batalha de Hastings

- A Batalha de Tours ou de Poitiers consistiu nos dois exércitos de Carlos Martel e Abd al-Rahman acampando próximos por um período de 6 dias, com pequenos embates. A verdadeira batalha durou cerca de um dia inteiro, e só terminou após Carlos Martel enviar uma pequena tropa para atacar o acampamento muçulmano por trás, desorganizando sua formação. Abd al-Rahman foi morto em combate.

Carlos Martel na Batalha de Tours, por Charles de Steuben (1788–1856)

- Na Batalha de Dorileia, o general cruzado Boemundo de Taranto e seus homens foram emboscados por turcos seljúcidas e danismendidas, e tiveram que segurar sua posição durante 7 horas até a chegada de reforços.

Iluminura da batalha de Dorileia (Histoire d'Outremer, séc. XIV)

- Na Batalha de Hattin, Saladino seguiu o exército de Guy de Lusignan, monarca consorte de Jerusalém, por dois dias, enquanto o exército de Guy sofria e desidratava no deserto. A batalha final (que durou cerca de um dia) e a rendição ocorreram em 4 de julho de 1187.

A Batalha de Hattin num manuscrito medieval


Fonte (em inglês) aqui.

terça-feira, 16 de julho de 2013

A Invencível Herança das Cruzadas: O Krak Des Chevaliers



Tombado como Patrimônio Mundial pela UNESCO, o imponente castelo representa o que de melhor foi criado na era dos castelos, desdobrando-se como um dos mais belos e bem protegidos. Durante as Cruzadas, sediou a Ordem religiosa dos Hospitalários e se tornou símbolo de resistência cristã na "Terra Santa". 

O Krak des Chevaliers (Castelo dos Cavaleiros) – ou Qalajat Al-Husn para os muçulmanos – está localizado na Síria e seu governo o mantém aberto ao turismo.

Sua construção parece ter sido um projeto sem-fim. Os Hospitalários receberam uma primitiva construção em 1141 e teriam feito ao menos duas grandes obras que só findaram em meados do século XIII. Na década de 1930, abandonado e quase em ruínas, passou por grande reforma para lhe trazer de volta sua antiga glória. Em 2008 foi tombado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

A surpreendente construção foi um formidável centro de defesa e controle regional para os cruzados. Construído no alto de um monte no sul da atual Síria, serviu aos propósitos das Cruzadas nos séculos XII e XIII. Estrategicamente posicionado no flanco do antigo Reino Jerusalém, foi um dos grandes responsáveis pela sustentação cristã na "Terra Santa".

Estima-se que na época em que serviu aos Hospitalários, o Castelo já possuía medições de 140 metros x 210 metros. Facilmente defensável, detém um elaborado conjunto duplo de defesas e, quando necessário, a fortificação podia guarnecer pouco mais de 2 mil soldados. Seus armazéns detinham grande capacidade para estocagem de suprimentos. Avalia-se que, quando completamente abastecidos, poderiam suprir as necessidades básicas da guarnição por alguns anos.

A fortificação resistiu a diversas tentativas de tomada por mais de 100 anos (teria repelido ao menos 12 incríveis tentativas). A poderosa construção finalmente caiu em 8 de abril de 1271, depois de resistir a um cerco de aproximadamente seis semanas empreendido pelo sultão do Egito, Baibars.

A tomada do Krak des Chevaliers ainda hoje suscita discussões. As tropas do sultão quando finalmente teriam conseguido "derrubar" uma das torres, depararam-se com algo ainda mais extraordinário, a segunda linha de muros e a torre de menagem (típica construção central do castelo europeu). Isto é, um segundo complexo de muros ainda mais difíceis de serem tomados e que deixaria os invasores bem mais expostos.

Recuando suas forças e profundamente desanimado com a possibilidade de um assédio (cerco) mais prolongado, o sultão teria criado um documento fictício no qual um dos líderes da Ordem dos Hospitalários estaria dando ordem de rendição, pois não havia como prestar auxílio algum aos defensores.

A ordem foi acatada e os bravos defensores do Krak teriam recebido salvo-conduto para casa. Há referências que apontam discussões que, na verdade, os Hospitalários sabiam que a ordem de entrega do castelo era falsa, mas, querendo camuflar sua desonra diante da derrota iminente, acataram-na fingindo desconhecer o fato.

Os Hospitalários seguiam duros preceitos de conduta e, como as demais ordens religiosas, suas "regras incluíam uma rígida disciplina militar, com penas pesadas para quem evitasse o inimigo, deixasse um estandarte baixar ou cair (...). Essas regras eram vistas como um meio de ganhar a salvação e, ao mesmo tempo, manter a honra e o prestígio da cavalaria".

A única coisa que parece ser certa, é que a guarnição do castelo estava reduzida (iminente fim das Cruzadas). Sobre o conhecimento ou não da veracidade documental por parte dos Hospitalários, apenas se sabe que há discussões acaloradas.


Texto: Eudes Bezerra.

Fonte: Imagens Históricas.

Referências: 

DUNN Jr. Jerry Camarillo. Krac des Chevaliers. Disponível em: << http://viagem.hsw.uol.com.br/krak-des-chevaliers.htm >>. Acesso em: 10 jul. 2013.

FERNANDES, Fátima Regina. Cruzadas na Idade Média. In. MAGNOLI, Demétrio (org.). História das Guerras. 5 ed. São Paulo: Contexto, p. 99-130. 2011.

JESTICE, Phyllis G. História das Guerras e Batalhas Medievais. O Desenvolvimento de Técnicas, Armas, Exército e Invenções de Guerra na Idade Média. trad. Milton Mira de Assumpção Filho. São Paulo: M. Books, 2012.

UNESCO. Crac des Chevaliers e Qal'at Salah El-Din. Disponível em: <<http://whc.unesco.org/en/list/1229 >>. Acesso em: 10 jul. 2013.

VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.

WATERSON, James. Espadas Sacras: Jihad na Terra Santa, 1097-1291. trad. Giancarlos Soares Ferreira. São Paulo: Madras, 2012.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Esquema de um castelo medieval

Estamos acostumados a escutar e ler (no Baschet, inclusive) que uma das características do Sistema Feuda é a ancoragem espacial, através da imagem do Castelo. O tamanho e imponência destas construções deixa evidente seu papel intimidador; entretanto, muitas vezes não paramos para pensar em como elas eram organizadas.


Claro, não podemos nos apressar e simplificar desta forma. A organização e estrutura destas fortificações variava de acordo com a época e região, e a imagem acima deve servir apenas como exemplo.

O objetivo é chamar a atenção para o fato de que os castelos eram muito mais que casas luxuosas de proporções exageradas; eram aglomerados funcionais de construções variadas, devidamente cercadas por estruturas de proteção.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Selo medieval

À direita a matriz, em cobre. À esquerda, o resultado da moldagem em cera


Original do século XII, Stone Priory, Sttafordshire, Inglaterra. O selo mostra Virgem Maria com o menino Jesus no colo.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Elefantes e a Visão de Mundo Medieval

Sim, isso é um elefante!

A imagem acima - retirada de um herbário da região da Lombardia (Itália) e datando dos anos 1440 - é um belo e curioso exemplo de como a visão de mundo dos europeus era em sua maior parte construída com base em relatos de segunda ou terceira mão. Animais de terras distantes estavam lado a lado com criaturas mitológicas dentro do imaginário europeu, e os limites entre o místico e o concreto não eram tão sólidos quanto em nossas cabeças modernas.

Tenham isto sempre em mente quando estiverem estudando os aspectos culturais do Medievo.

Eu não gostaria de estar no lugar deste pobre elefante...

Aqui mais uma iluminura, desta vez de um bestiário inglês produzido entre 1236 e 1250. Elefante e dragão cara a cara (e o elefante não parece nem um pouco confortável com isso).

Fonte e mais informações sobre os elefantes em representações medievais: http://britishlibrary.typepad.co.uk/digitisedmanuscripts/2012/10/elephants-on-parade.html (em inglês)

PS: Na página acima há o link para cada um dos manuscritos de onde as imagens foram retiradas.

Rochester Bestiary, Inglaterra, 1230

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Santa Olga

The Baptism of Grand Princess St Olga, por Servei Kirillov

'É uma estranha reviravolta histórica que a primeira mulher "russa" a ser canonizada sob a Igreja Ortodoxa tenha sido uma princesa guerreira escandinava que passou a maior parte de sua vida como pagã.

Olga conquistou sua santidade por ter se tornado o primeiro membro da casa Riurik - dinastia que governou sobre uma área correspondente à Russia Européia, Ucrânia e Bielorrússia por mais de sete séculos (860's ~ 1598) - a se converter à Cristandade. No entanto, o papel desta "dama guerreira" na expansão do cristianismo entre os Eslavos é apenas parte de sua memorável contribuição à história da Europa Oriental.'

SHERMAN, H.


Se houver interesse, posso traduzir o resto do texto.