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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Pesquisa sugere que os Vikings podem ter sido mais sociais que selvagens



Acadêmicos da Universidade de Coventry revelaram complexas redes sociais na era das sagas islandesas, o que contesta o estereótipo dos "vikings" como meros selvagens violentos.

Pádraig Mac Carron e Ralph Kenna, do Centro de Pesquisas em Matemática Aplicada da Universidade de Coventry, realizaram uma análise detalhada das relações descritas em antigos manuscritos islandeses, para lançar uma nova luz sobre as sociedade escandinavas.

Em um estudo publicado no European Physical Journal, Mac Carron e Kenna se perguntam se fragmentos de realidade poderiam estar ocultos nas páginas dos documentos nos quais as sagas islandesas foram preservadas.

Eles aplicaram às sagas métodos de física estatística para redes sociais - em que nódulos (pontos de conexão) representam indivíduos e linhas de conexão representam interações entre eles - para se aprofundar nas relações entre personagens e sociedades nelas representadas.

Os acadêmicos utilizaram as Sagas dos Islandeses - um corpo único de literatura medieval datada do período da ocupação da Islândia, a cerca de mil anos atrás - como base da investigação.

Apesar de a historicidade destes contos ser constantemente questionada, alguns acreditam que eles podem conter versões ficcionalizadas e distorcidas de sociedades reais, e a pesquisa de Mac Carron e Kenna apóia esta hipótese.

Eles mapearam as interações entre mais de 1.500 personagens que aparecem em 18 sagas, incluindo cinco épicos particularmente famosos. Suas análises mostram, por exemplo, que apesar de um "conto de fora-da-lei" possuir propriedades similares a outros épicos heroicos europeus, e de as "sagas familiares" da literatura islandesa serem bastante distintas, as redes das sagas de um modo geral são consistentes com redes reais.

Além disso, apesar de ser fato conhecido que J.R.R. Tolkien foi fortemente influenciado pela literatura nórdica, as sagas vikings possuem uma estrutura de rede social diferente d'O Senhor dos Anéis e outras obras de ficção.

Nas palavras do professor Ralph Kenna:

"Esta investigação quantitativa é bastante distinta das abordagens tradicionais quando se trata de estudos comparativos de textos antigos, que costumam focar em aspectos qualitativos. Ao invés de indivíduos e eventos, a nova abordagem olha para interações e revela novas percepções - de que as Sagas Islandesas possuem propriedades similares às de redes sociais do mundo real.

"Em um nível mais amplo, a nova abordagem mostra que mesmo após dois séculos de examinação erudita, essas sagas oferecem novos conhecimentos se novas técnicas forem aplicadas e novas questões levantadas. Esta pesquisa demonstra a importância da interdisciplinaridade entre ciências exatas e humanas, e o que ela pode atingir."


Fonte em inglês.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Experimento único: um russo viverá meio ano como na Idade Média


Um russo de 24 anos se desprendeu de seus aparatos eletrônicos para viver seis meses como nos tempos medievais. O estudo pretende conhecer o uso das ferramentas da época e analisar a capacidade de adaptação a uma vida sem modernidades.

Sua nova morada está a uns 28 quilômetros de Moscou, em uma casa que imita aquelas do século IX na Rússia. A alimentação também respeitará as tradições da época, contando com cabras, galinhas, cogumelos, peixes desidratados, bagos, banha de porco e vários tipos de cereais. Também poderá caçar coelhos e raposas no bosque, porém somente usando métodos antigos.

Pável Sapozhnikov está disposto a viver sem eletricidade, sem internet e sem as roupas penduradas em seu armário. Mas apenas até o próximo dia 22 de março, ou todo o inverno russo. Com temperaturas que podem cair abaixo dos 20 graus negativos, qualquer um pensará que o equipamento que mais fará falta será o aquecedor. No entanto, o objeto mais preciso para o jovem é um machado.

"Com um machado pode-se construir tudo que for necessário. Quando não serve para alguma coisa, pode ter certeza que serve para fabricar a ferramenta apropriada", disse Pável à agência de notícias russa RIA Novosti. E então afirma: "Nossos ancestrais o criaram com a forma perfeita", assinalando que a ferramenta praticamente não mudou ao longo dos séculos.

Em seus primeiros dias como viajante no tempo, Pável confessa ter tido dificuldades para fazer fogo a partir da faísca de uma pedra. E não se intimida em reconhecer que gostaria de ter um isqueiro em mãos.


"Achamos muito interessante ver como uma pessoa podia sobreviver às estações do outono e inverno, quando há menos comida e provisões, além de menos horas de luz ao dia", afirmou o instigador da iniciativa, Alexéi Ovcharenko.

Uma equipe vigiará cada movimento de Pável, assim como o desgaste de cada um dos elementos com os quais ele conta.


"A cada quanto tempo tem que remendar um par de meias de lã? Ou quanto duram um par de esquis ou uma faca? O teto coberto com pele de animal é suficientemente forte? Queremos avaliar muitos dos elementos que eram utilizados diariamente", assinalou Ovcharenko.

Outro aspecto importante do experimento é o sociopsicológico. Os promotores do projeto querem saber como a vida em solidão afeta uma pessoa.


"Enviamos Pável ao passado com um propósito. A imersão no passado e o distanciamento da vida moderna serão assim mais rápidos. Agora só nos resta esperar pelos resultados em março. Isso se Pável não decidir ficar para sempre no medievo."


Fonte: AQUI (em espanhol)